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Dado Crítico
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Você pode criticar, comentar ou sugerir através do email dadocritico@yahoo.es Comments: Segunda-feira, Maio 31, 2004 O Elogio Finalmente chegaria o grande momento. Dentro de pouco mais de uma hora começaria o jantar no qual seria anunciado o novo vice-presidente da Companhia e, com o trabalho que eu havia desenvolvido, aumentando a produtividade e descobrindo um rombo financeiro causado pelo então vice, meu nome era quase certo para assumir a vaga. Tudo ia muito bem, eu já estava pronto, passando perfume, quando vi minha mulher entrando no quarto como há muito tempo não a via. Estreiava um vestido comprado especialmente para a ocasião. Havia feito mãos, pés e penteado. Passou a tarde inteira no cabeleireiro. Estava simplesmente maravilhosa, indescritível. Segui seu corpo inteiro com os olhos, então disse a ela que estava linda e que preto lhe caía muito bem. Sua reação foi, no mínimo, muito curiosa. Respondeu com muita aspereza que qualquer mulher acima do peso fica melhor de preto, e que só assim conseguiam esconder os excessos. Preferi ficar quieto e não estragar minha grande noite. Perguntei se já estava pronta e, mais uma vez: bomba. Respondeu que estava pronta para dormir, que não iria mais a porcaria de festa nenhuma. Agora eu estava começando a me preocupar. Tudo bem que ela fica uma fera todos os meses durante aquela fatídica semana, mas dessa vez foi demais. Sua presença era importante não só para me acompanhar, mas também porque era uma dos principais gerentes da empresa, além de ter contatos muito fortes lá dentro. Tentei argumentar dizendo que eu não tive nenhuma intenção de magoá-la, que realmente eu queria dizer que ela estava linda, mas nada mudava sua opinião. Estava decidida a ficar em casa e me jogar aos leões. A essas alturas já havia passado quase uma hora desde o começo da queda-de-braço e eu não poderia mais esperar. Tinha que definir naquele momento se iria só ou não. Tentei mais uma vez e ela se mostrou irredutível, disse que não sairia de casa nem amarrada. Não me sobrou outra opção, fui só. Chegando à festa sentei-me à mesa reservada à família do Presidente, onde a única ausência era a de sua tão amada filha, minha mulher. Todos perguntaram dela e demonstraram grande desconforto por sua ausência. Nem mesmo a indisposição que inventei como desculpa para que ela não fosse foi suficiente para melhorar o clima. Depois de um belo jantar, o momento tão esperado. O Presidente subiu a um palco, onde explicou todo o processo de modernização da empresa, enumerou os colaboradores que mais ajudaram a transformá-la em líder no mercado nacional e uma grande exportadora; destacou minha participação decisiva, falou durante cinco minutos sobre minha dedicação aos negócios e meu profissionalismo. No final fez apenas uma ressalva, lamentando a ausência de sua filha, a nova vice-presidente da empresa... Denis Borges postado por: Dado 9:11 AM Comments: Segunda-feira, Maio 24, 2004 Para o meu pai... Ele sabe do que estou falando... Um sopro divino Relações entre pais e filhos são, geralmente, complicadas. Uma coisa, porém, não se pode negar: são as mais sinceras e as que nos trazem mais experiências de vida, mesmo quando nem ao menos chegamos a conhecê-los. Isso me faz lembrar a história de uma garota que tinha uma convivência muito boa com os pais e uma vida muito próspera proporcionada por eles. Sua mãe era uma advogada que, apesar da grande quantidade de trabalho, sempre tinha tempo para a família. Seu pai, um renomado arquiteto, com quem trabalhava, também conseguia tempo para reunir-se com as pessoas que gostava e passar bons momentos de descontração. Claro que tinham suas diferenças e discussões, como qualquer família. O fato é que apesar de viverem tão bem e de proporcionarem à filha a melhor educação possível, uma coisa não estava bem, um ensinamento não conseguiram passar: a garota não acreditava em Deus. Freqüentavam a igreja, mas ela não conseguia acreditar em algo tão abstrato. Dizia que era muito agradecida por tudo o que tinha na vida e pelas pessoas que a cercavam, mas que dentro dela havia uma voz, bem lá no fundo, dizendo que tudo era uma grande besteira e que não havia Ser superior algum. Naturalmente isso causava uma grande tristeza em seus pais. Para eles não haveria problema se ela seguisse outra religião, desde que acreditasse Naquele a quem atribuíam todas as conquistas de suas vidas. Com o passar dos anos ela também se tornou uma arquiteta respeitada, não apenas pelos trabalhos que executava, mas também pelo exemplo de honestidade que era e pela ajuda que prestava a quem dela necessitasse. Seu pai, agora um avô-coruja incorrigível e beirando os setenta anos de idade, começou a sentir algumas dores que o incomodavam, mas nunca deu maior atenção, pois acreditava que fosse normal na fase em que estava. Um dia, por insistência de sua mulher, submeteu-se a uma bateria de exames, na qual foi diagnosticado um tipo muito raro de câncer. A notícia, como era de se esperar, causou grande comoção na família e nos amigos. Depois de diagnosticada, a doença parecia evoluir a galope. Em poucas semanas muitas de suas funções estavam comprometidas e ele mal andava sozinho. Este homem tão querido, de repente, teria de pouquíssimo tempo de vida. Graças à condição financeira que haviam conquistado ao longo de toda vida, foi possível contratar enfermeiros e, principalmente, mãe e filha puderam acompanhá-lo de perto durante esse período, deixando o trabalho por alguns meses. A filha mudou-se temporariamente para a casa dos pais. Seu marido encarregou-se dos filhos. Depois de dois meses o pai já havia perdido completamente a consciência e tudo o que ela podia fazer era beijá-lo, acariciá-lo e chorar muito por ele. Sua mãe rezava com todas as forças. Foram semanas muito difíceis, perdendo peso e contato com seus próprios filhos, mas de alguma maneira, revivendo aquela linda união que tiveram durante sua infância e juventude. Em uma tarde fria de inverno, quando as duas seguravam as mãos daquele pai tão castigado pela doença, viram rolar em seu rosto uma lágrima e, em seguida, o alívio, seu último suspiro. Sem que pudesse pensar em nada, a vista da filha escureceu e ela ouviu um sussurro em seu ouvido, acompanhado de uma brisa morna e doce, como o hálito de seu pai. O sussurro dizia: "Obrigado minha filha. Eu te amo muito..." Neste momento percebeu que seu pai acabava de lhe dar a lição mais linda de sua vida, afinal uma coisa dessas não se explica de maneira racional. Naquele momento percebeu que Deus existe, sempre existiu... Denis Borges postado por: Dado 9:35 AM Comments: Segunda-feira, Maio 17, 2004 A Grande Decisão Depois de quinze anos de muito trabalho naquela multinacional, conseguiu finalmente tirar as férias que tanto queria. Embarcou com a mulher e os dois filhos rumo a um desses países que a maioria das pessoas só vê em revista. Nada mais justo para um homem que melhorou os números daquela grande companhia e que já era cotado para assumir a presidência mundial da empresa. As vezes que tentou sair de férias foi sempre obrigado a voltar por um motivo ou por outro. A semana entre Natal e Ano Novo era sagrada para o seu descanso, mas nunca gostou de viagens longas em períodos de festa, preferia ficar em casa ou ir à praia ou ao campo, onde tinha belas casas. O fato é que agora nada o separaria de seu grande objetivo: férias de verdade. Programou durante mais de um ano com a mulher e o casal de gêmeos o que fariam durante esses vinte dias. Na verdade ele apenas escolheu o destino e, por sua habitual falta de tempo, a família acabou cuidando dos detalhes. O vôo estava no horário e ele já estava sentado em sua poltrona ao lado de sua mulher, agora com quarenta e poucos anos e uma forma invejável. Seus filhos também estavam crescidos. Quando começou a trabalhar nessa empresa, em um cargo mediano, os gêmeos tinham apenas três anos de idade, estavam começando a conhecer o mundo. Agora eles tinhan dezoito anos e estavam na faculdade. Ele fazendo direito e ela veterinária. Eram um grande orgulho para os pais, principalmente para a mãe, que se encarregou de lhes educar e passar valores no dia-a-dia. A família estava finalmente unida para alguns dias de tranqüilidade. Assim que decolou o avião, ele fechou os olhos como se estivesse dormindo e pensou em tudo o que havia conquistado em sua vida: casas, carros, reconhecimento, bons colégios para os filhos, uma vida invejável para sua mulher, que além de coordenar os empregados da casa, também cuidava de uma loja que tinham em um shopping. Tudo isso às custas de extrema dedicação ao trabalho. Sentiu-se feliz e confortável naquele momento. Poucos segundos depois, começou a pensar no que não havia vivido para que aquilo tudo fosse possível. Pensou nas formaturas da pré-escola e do segundo grau de seus filhos que não pôde comparecer por estar em reuniões importantíssimas, pensou nos quatro aniversários de casamento que também não estava presente por estar em viagem de negócios, e no aniversário de sua mulher, que por um descuido de sua secretária deixou passar em branco; as conversas que não teve com seu filho e as vezes que não pôde atendê-lo por estar com pressa, sem contar a relação com sua filha que beirava a frieza. Pensou nisso tudo e em outros tantos fatos que fizeram dele quase um turista em sua própria casa, um provedor que praticamente não participava de decisões do lar e que atribuia à mulher as decisões mais importantes referentes à família. Sentiu-se vazio e triste, um mercenário. Percebeu que durante todo este tempo viveu para mostrar aos outros e a si mesmo do que era capaz, sem se preocupar em viver a sua família. Na balança de sua conciência suas falhas pesaram muito mais que o conforto que conquistou. O coração ficou apertado e sentiu um frio no estômago. Estava realmente arrependido e decidido a mudar toda a sua vida a partir daquele momento. Seria a partir de agora não apenas um provedor, mas um pai de família, e para selar a sua mudança beijou sua mulher como não fazia há muitos anos. Ela logo percebeu que ele havia acabado de tomar a decisão mais importante e acertada de sua vida. Buscaria o sucesso familiar. Denis Borges postado por: Dado 10:39 AM Comments: Terça-feira, Maio 11, 2004 Que Amor de Noite... Das situações constrangedoras pelas quais passei, essa foi a campeã. Aconteceu em 1993, quando eu tinha vinte e um anos, com mentalidade de dezesseis. Eu estava namorando há pouco mais de um mês e ainda não havia apresentado o novo amor, o que já causava uma curiosidade quase sem limites na minha família. Em um final de domingo decidimos dar uma esticada até um motel para passarmos uma noite agradável e começarmos a semana em grande estilo. Tudo ocorreu perfeitamente, incluindo vinho, música, meia-luz e todos os ingredientes para fazer uma noite romântica. Por volta das três horas daquela madrugada fria de maio íamos embora. Abri a porta do meu recém comprado carro a álcool para aquela lady, entrei, dei a partida e... nada. Tudo bem, sem pânico, outra tentativa...... nada. Comecei a sentir um leve frio na boca do estômago. Mais uma tentativa e..... nada. "Algum problema amor?" - perguntou aquela deusa sem saber o que a esperava. "Não, é só o frio...." - respondi com o coração saindo pela boca. Eu sabia da dificuldade na partida do carro a álcool, mas sabe quando a coisa está com aquele jeito de que não vai acabar bem? O pior é que eu não tinha muitas opções além de tentar a qualquer custo fazer aquele motor funcionar. Continuei tentando, até que a bateria descarregou e, aí sim, o suor começou a descer pela minha testa. Parecia um sonho lindo que se converteu em um pesadelo tenebroso. Fui à recepção perguntar se havia um cabo para carregar a bateria, ou algum mecânico por perto, mas o horário não colaborava. Já era quase quatro horas da manhã. Pensei em dar um jeito de perguntar se algum dos hóspedes poderia me ajudar, mas naquela madrugada gelada de segunda-feira parecia que eu era o único que havia se aventurado naquele motel. Minha cabeça estava girando, mas pelo menos minha namorada não estava lá muito nervosa e conseguia me acalmar um pouco à base de beijinhos. Sugeriu que ficássemos até mais tarde, quando abririam as mecânicas, mas eu tinha reunião na empresa em que trabalhava há apenas uma semana. A verdade é que o desespero venceu e eu tive que pedir à recepcionista que me deixasse fazer uma ligação, apenas uma que eu sabia que seria certeira, mas que me custaria muito caro psicologicamente. Liguei e pedi que viesse e trouxesse os cabos da bateria para que eu a carregasse. Adivinhem quem: ninguém mais, ninguém menos que... minha mãe. Apesar de ficar visivelmente abalada ao telefone, cerca de trinta minutos mais tarde chegava a salvadora com os cabos e, de quebra, minha irmã e uma tia interessadíssimas em conhecer minha pobre namorada e, certamente, comentar esse caso pelo resto de suas vidas. Foram até a garagem da suíte onde estava o carro e me ajudaram a empurrar para manobrar, já que ele estava de frente para a parede. Suor e mico à parte, o carro pegou e elas conheceram a nova integrante da família. Ah! Na hora de ir embora minha mãe me deu uma blusa. O filhinho poderia estar com frio... Denis Borges postado por: Dado 10:52 AM Comments: Segunda-feira, Maio 03, 2004 O Fora Um dia desses me ligou um amigo com quem havia perdido contato há algum tempo. Sua voz estava triste. Perguntou se poderia passar em casa para tomarmos alguma coisa e eu, sem nada pra fazer naquela sexta à noite e já um tanto curioso, respondi que sim. Uma hora antes do combinado ele chega com os olhos inchados de tanto chorar e com algumas garrafas de vinho barato, desses de cesta de natal. Mal chegou e já foi me contando suas desventuras no amor. Disse que primeiro se envolveu com uma garota linda e divertida, mas que não era das mais fiéis, e como era de se esperar o fez conhecer o sabor da traição. A segunda que veio nessa maré de azar foi uma garota que era a verdadeira encarnação da brutalidade, cansou de deixá-lo com cara de bobo na frente dos outros. Não correspondia aos seus carinhos e sempre estava com uma pedra na mão, ele nem ao menos podia fazer um elogio que ela respondia com grosserias. Pode? Essas mulheres machucaram, mas a última foi demais. Ela era delicada, inteligente e carinhosa, mas como ninguém é perfeito... era casada. Isso mesmo. Depois de algumas experiências frustrantes, essa era para desanimar de vez. A mulher da sua vida já tinha casa, cachorro e um maridão. Ficaram juntos até que a segurança e tranqüilidade que ela tinha no casamento falassem mais alto que aquele amor, que desde o início já era sem futuro mesmo. Terminou sem fazer muita cerimônia, com poucos minutos de conversa. Depois de algumas horas lá em casa o coitado estava desolado e bêbado, um verdadeiro trapo. Dizia estar disposto a tomar uma medida extrema, e eu acreditei, afinal quem bebe aquele tipo de vinho é capaz de cometer qualquer loucura. Ele já tinha passado por tantas desilusões que era difícil encontrar uma palavra de consolo. Quando se acalmou pensou nos inconvenientes de estar com aquela mulher, como noites em claro sem poder vê-la, finais de semana sem companhia e a possibilidade real de morte ou mutilação caso seu marido descobrisse a traição. Concluiu que os inconvenientes não valiam a pena. Começou a imaginar coisas que pudessem melhorar seu estado: viagens, esportes, animais de estimação e etc. Calou-se por alguns instantes e pensou no bem que lhe havia feito essa desilusão. A partir de agora poderia encontrar outro amor e voltar a ser feliz, sempre com alguma complicação, do seu jeito, talvez resgatando uma freira do convento... Dado postado por: Dado 4:29 PM
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